João da Silva
As maçãs podres do agronegócio brasileiro
Um estudo recente publicado na revista Science, intitulado em português “As maçãs podres do agronegócio brasileiro”, afirma que uma parcela substancial do desmatamento ilegal no Cerrado e na Amazônia está ligado à agricultura de exportação de commodities.

O Brasil é um dos principais exportadores de carne bovina e soja do mundo, sendo os biomas Cerrado e Amazônia os principais produtores dessas commodities. O estudo identificou que 20% da soja e pelo menos 17% da carne bovina produzidas no Cerrado e na Amazônia e exportadas para a União Europeia estão associadas ao desmatamento ilegal. E apenas 2% das propriedades rurais presentes nesses biomas são responsáveis por 62% de todo o desmatamento potencialmente ilegal. Essa pequena mas muito destrutiva porção do setor é causadora de inúmeros problemas ambientais regionais e globais, como a perda da biodiversidade e outros serviços ecossistêmicos, além de ser uma ameaça ao próprio segmento agropecuário.

Tendo em vista nossa sociobiodiversidade, o Brasil apresenta alto potencial para a implementação de uma agropecuária sustentável. Mas, para atingir esse objetivo, o principal passo é buscar soluções a partir do reconhecimento das responsabilidades ambientais compartilhadas pelo Brasil e seus parceiros internacionais. Os autores do artigo relatam que “Todos os parceiros econômicos do Brasil devem compartilhar a culpa por promover indiretamente o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa, não restringindo as importações e consumindo produtos agrícolas contaminados com o desmatamento, ilegal ou não.”
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"Valorizar o cerrado e aqueles que com ele vivem é
a forma mais eficiente de conservá-lo."